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Palavra do Reitor

Ano Litúrgico: história do Filho de Deus transformando nossa história

Ano letivo próximo do fim, início do novo Ano Litúrgico com o tempo do Advento, e automaticamente somos provocados a fazer um balanço de ganhos e perdas ao longo do ano e a renovar as esperanças para uma nova etapa. Este é um tempo sobretudo de vigília, tempo de ‘aplainar os caminhos’ à espera da chegada de Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, Senhor e Salvador, como nos adverte o profeta Isaías.

 

É também tempo de busca de aprimoramento humano e espiritual, e como nossa Pastoral Universitária tem como intuito justamente trabalhar nesse sentido no ambiente acadêmico, gostaria de aproveitar este espaço para falar das recentes mudanças em sua coordenação. O professor Valter Lara, que esteve à frente dos trabalhos nos últimos três anos, deixou nossa instituição para cuidar de projetos pessoais.

 

Para substituí-lo, convidamos o Padre Leomar Nascimento de Jesus , sacerdote da diocese de Santo Amaro desde 2001. Mestre em Teologia e pós-graduado em Comunicação pelo Sepac, ele assume disposto a dar continuidade às atividades do professor Valter, a reforçar as ações de espiritualidade e a iniciar projetos de cunho ecumênico. Sua intenção é manter a Pastoral Universitária à disposição de todos os que almejam assumir novos propósitos nessa caminhada de estudos e de crescimento espiritual e que desejam conhecer um pouco mais sobre os muitos símbolos, cores, ritos, etc. da Igreja Católica.

 

Assim, aproveito este espaço para responder aos que sempre nos procuram desejosos de entender sobre os tempos litúrgicos e o uso de cores dos paramentos das missas. Todas as celebrações dominicais marcam o tempo da manifestação de Deus na história humana. Elas fazem parte deste ciclo que se renova a cada ano, mas que não coincide plenamente com o ano civil.

 

Com a festa de Cristo Rei do Universo, este ano celebrada em 25 de novembro, a Igreja encerrou mais um ano litúrgico, que se abre agora para os quatro domingos que antecedem o Natal (tempo do Advento). Estes são pontuados pela cor rocha, simbolizando a expectativa crescente da vinda do Senhor. Em 25 de dezembro, as velas da Coroa do Advento serão substituídas pela ‘verdadeira luz que nos chega no Natal’.

 

Após 25 de dezembro, solstício de inverno e que marca a noite mais longa no hemisfério Norte, a natureza vai nos mostrando que, com a presença de Cristo em nossas vidas, os dias se tornarão mais luminosos e os elementos tenebrosos serão pouco a pouco dissipados. É tempo de Festa, portanto, entra a cor branca na liturgia. A exemplo dos Reis Magos, vamos seguindo essa luz, que é o Cristo Jesus, procurando nEle a inspiração para governar com sabedoria.

 

A contemplação dessa luminosidade segue até a Festa do Batismo do Senhor, que introduz o Tempo Comum, de cor verde. Nos oito domingos que sucedem o Batismo do Senhor, somos convidados ao aprendizado com Jesus e, a exemplo de seus discípulos, meditamos suas palavras (ensinamentos), nos comovemos com seus exemplos (atos) na esperança de que a humanidade aprenda com Ele, através de nós. Como discípulos de Jesus, percebemos a importância de um esforço cada vez maior para conformar nossas atitudes às nossas palavras.

 

Este tempo é interrompido para meditarmos melhor o fato de que uma adequação cada vez maior de nosso modo de viver ao modo de viver de Jesus, fonte de vida para todos os povos, não se faz sem a conversão. É o tempo da quaresma (quarenta dias) que antecede a Páscoa do Senhor. Nesse tempo prevalece a cor roxa, suscitando sobriedade e penitência, jejuns e orações. Após a quaresma, iniciamos a Semana Santa, quando se impõe a cor vermelha do sangue derramado por Jesus. Marca a sua fidelidade à Palavra do Pai até o ponto de entregar sua vida.

 

Após a Páscoa do Senhor, o branco é reintroduzido na liturgia, simbolizando tempo de Festa da vitória da vida sobre a morte, até a Festa de Pentecostes (cor vermelha). Passada essa Festa, que celebra a terceira pessoa da Santíssima Trindade, somos reintroduzidos de volta ao Tempo Comum, que somam 34 domingos, o último a Festa de Cristo Rei. E assim se fecha o ano litúrgico, cuja função é dinamizar o nosso tempo e a nossa história para que se aproximem cada vez mais do modo como Jesus anunciou e viveu as primícias do reinado de Deus.

 

Assim como a criança é ensinada pelos pais a usar os talheres, achando estranho, num primeiro momento, a colherzinha ou o garfinho, não sabendo dirigi-los à boca e acertando vez ou outra o olho, a orelha, o nariz, assim são os valores do Reino, expressos no Ano Litúrgico e vividos no ano civil, quando são interiorizados pelo hábito. Num primeiro momento, podem parecer de uma segunda natureza, mas aos poucos, pela utilidade e pela alegria que proporcionam ao meio social, são transformados em uma primeira natureza, tornando-se naturais em nós!

São Paulo, 05/12/2018

Reitor

Prof. Dr. Pe. Edelcio Ottaviani

Reitor do Centro Universitário Assunção - UNIFAI