Invocação ao Espírito santificador | Unifai Pular para o conteúdo principal

Palavra do Reitor

Invocação ao Espírito santificador

Prezados alunos, alunas, funcionários, funcionárias, professores e professoras,

Que a luz do Espírito do Senhor brilhe em cada um de nós para que tenhamos sabedoria, inteligência, ciência, fortaleza, meditação piedosa e atenção ao que nos transcende para sabermos bem aconselhar as pessoas que estão desorientadas, sobretudo neste tempo de distanciamento social por causa da pandemia do Covid-19!

Invocando os sete dons do Espírito, celebrados pelos cristãos católicos na festa de Pentecostes, no dia 31 de maio, gostaria de dirigir minha palavra neste início de mês, especialmente, aos alunos e alunas que perderam seu ente querido por causa do novo coronavírus. Como disse no vídeo que gravei, e que foi transmitido pelas redes sociais, toda a nossa comunidade se solidariza com vocês, compartilhando de seu sofrimento, e dirige uma prece a Deus para que os cientistas encontrem logo uma vacina e o povo aplique os meios mais responsáveis para combater a pandemia, a fim de que outras famílias não sofram a dor que vocês estão sentindo agora.
    
Os tempos são difíceis, sabemos. Como diz o eminente sociólogo Boaventura de Souza Santos, vivemos uma crise dentro da crise. Não bastasse a ameaça constante de colapso dos hospitais, teremos que enfrentar a carestia, silenciosamente plantada por um sistema excludente (economia neoliberal), na fase pré-pandemia, e certamente agravada no período que a sucederá. O individualismo fomentado pela ideia de que cada um é “empresário de si mesmo”, único responsável por seu próprio sucesso ou fracasso, já não se sustenta.  A pandemia veio nos mostrar que todos nós somos responsáveis uns pelos outros e a sociedade que não aprender essa lição vai penar por uma ou mais gerações.

Por isso é preciso pedir sabedoria para discernir o certo do errado, o verdadeiro do falso. Em tempo de fake news, de notícias falsamente plantadas e amplamente disseminadas em nossas redes sociais, este dom é mais do que necessário: Dai-nos Senhor a graça de não ver impunes aqueles que lançam mão desses meios para confundir, dispersar e enganar, sobretudo, os mais simples. Que Vossa justiça prevaleça e que os malfeitos dos filhos do ódio sejam revelados aos olhos de todos.

Diante da arrogância ignorante, que coloca em risco a estabilidade das instituições, disseminando a discórdia e aumentando a insegurança quando precisávamos, mais do que nunca, de um consolador: Dai-nos Senhor a inteligência para esclarecer os incautos, mostrar a incongruência entre palavra e gesto, entre discursos em favor da democracia e participação em atos anticonstitucionais contra o Poder Judiciário e o Congresso.
Em tempos de negação da evidência, dos terraplanismos, do desmonte das ciências humanas, de aparelhamento ideológico travestido de combate às ideologias: Dai-nos Senhor o embasamento da ciência, alicerçado na racionalidade metódica e na ânsia do conhecimento respaldado pelos fatos, plantados no coração de cada um de nós! (cf. Rm 2, 15).
Em tempos de ameaças autoritárias, de armas em punho e não rastreadas, de milícias alimentadas por munição legalmente compradas: Dai-nos Senhor a fortaleza de Vosso Filho que condenou a violência, que amparou os pobres, que acolheu o diferente, o samaritano, o estrangeiro, e que hoje defenderia, pelos gestos e pelas palavras, os povos indígenas em sua riqueza cultural; em seu conhecimento milenar das plantas, roubado pelos grandes laboratórios e multinacionais; em seu respeito sagrado pelas florestas, pelos animais, pelos rios e pelo ar que não vemos mas que nos é essencial.
Frente à manipulação da Vossa Palavra, contida nas Sagradas Escrituras, elaboradas por homens inspirados e piedosos: Dai-nos Senhor a meditação piedosa do profeta Elias, que soube notar os sinais da Vossa presença não na força dos trovões, mas na brisa leve (Cf. 1 Rs 19, 9-13). Concedei-nos a oração que não nos permite enxergar-Vos na ameaça dos canhões, mas na palavra da mulher negra, corajosa, que denuncia a violência contra os direitos da criança desprotegida, do adolescente negro discriminado, sem educação e sem futuro. Dai-nos a meditação piedosa e corajosa de Marielle Franco que não foi calada nem mesmo pelo tiro covarde que a atingiu, cuja voz ressoa por entre as vozes atravessando nosso país para saber quem a mandou matar!

Diante das ameaças de rompimento das forças institucionais, da volta do Ato institucional n. 5, que caçou os direitos políticos e implantou de forma autoritária a Doutrina de Segurança Nacional: Dai-nos Senhor somente o temor de não honrar Vosso Nome e as palavras de Vosso Filho: “Não temais os que matam o corpo, mas sim Aquele que tem o poder sobre aquilo que o anima” (cf. Mt 10, 28-33), isto é, somente Vós Senhor, cujo Espírito vivifica e não mata!
Dai-nos Senhor estes seis dons para fortalecer o dom do Conselho que, neste momento tão difícil de crise econômica, política e sanitária pelo qual passa nosso país, é preciso ser difundido e exercido cotidianamente por cada um de nós: Dai-nos Senhor o dom do aconselhamento para fazer enxergar os cegos, dar coragem para falar aos emudecidos, fazer escutar os surdos que não querem ouvir senão a si mesmos, força para fazer andar os inertes e, em tempo pós-pandemia, manifestar seu apreço pela verdadeira democracia, respeitando o próximo e amando-o, em sua diferença, como se fosse si mesmo.

Caríssimos, para isso, teremos que pensar novos possíveis e o Espírito Santo é a força que possibilita essa renovação sobre a terra.  Para terminar, lanço mão da versão de Adélia Prado para que possamos pedir ao Senhor a infusão destes sete dons em cada um de nós:

 
Espírito de Deus,
manda-nos do céu um raio de Vossa Luz.

Vem, ó Pai dos pobres,
doador das graças,
Luz dos corações.

Vem consolador,
hóspede da alma,
doce alívio, vem.

No labor descanso,
na aflição remanso,
no calor aragem.

Vem, ó Luz Santíssima,
encher de claridade o coração fiel.

Sem a Vossa luz nada o homem pode,
nenhum bem há nele.
Lava o que é impuro,
rega o que está seco,
o que é doente, cura.

Dobra o que enrijece,
o que está frio aquece,
Reconduz o errante.

Aos fiéis concede,
toda Igreja pede,
os teus sete dons.
Concede o prêmio do bem,
a boa morte do justo,
a eterna alegria. Amém! Aleluia!


 

São Paulo, 31/05/2020

Reitor

Prof. Dr. Pe. Edelcio Ottaviani

Reitor do Centro Universitário Assunção - UNIFAI