Boas-vindas, agradecimentos e prospectivas para o 2º semestre no UNIFAI | Unifai Pular para o conteúdo principal

Palavra do Reitor

Boas-vindas, agradecimentos e prospectivas para o 2º semestre no UNIFAI

Passados quinze dias do início do semestre letivo, quero, inicialmente, e em nome de toda a comunidade acadêmica, acolher os calouros e calouras que ingressaram em nossa instituição. Num ano totalmente atípico, não pudemos tê-los tanto na semana de integração quanto na missa que festeja a padroeira de nosso Centro Universitário, Nossa Senhora d’Assunção. O protocolo de distanciamento social, em prevenção ao contágio do Covid-19, não possibilitou a acolhida calorosa que costumeiramente se faz em meio ao alunado veterano, ao corpo técnico administrativo, docentes e coordenações de curso. Sejam bem vindos e bem vindas! Esperamos que, em breve, possam gozar do bom clima de nossa instituição, pautado na seriedade e no compromisso acadêmico, na qualidade e competência dos professores e professoras, na gentileza e boa vontade daqueles que os acolhem na entrada da instituição, passando por aquelas que os recebem no “atendimento ao aluno” e pelas senhoras que cuidam da limpeza e do bem-estar de salas, banheiros, laboratórios, auditórios e corredores. 

Aproveito, então, para agradecer, mais uma vez, a cada um e a cada uma que fizeram a diferença no semestre passado, com seu empenho, dedicação e criatividade na condução das atividades remotas que foram desenvolvidas desde março do corrente ano. A pandemia exigiu muito de todos, mas não houve quem não tenha vestido a camisa da instituição. A reitoria, por sua vez, esteve sempre atenta para chamar a atenção daquele ou daquela que não tinha ainda se dado conta de que a “tática do jogo” havia mudado e que era necessário adotar outra posição. De toda forma, acabaram por vestir a camisa e entrar em campo ainda que no segundo tempo. Nesse sentido, fico feliz que tenhamos ocupado uma posição de destaque nessa competição. Enquanto muitas instituições de ensino demitiram professores em larga escala e instauraram a modalidade a distância (EAD), com aulas gravadas e tutores na condução da disciplina, a Fundação São Paulo (FUNDASP), mantenedora de nossa instituição, não demitiu nenhum docente e nenhum funcionário durante o isolamento social. Colocou à disposição de todos a Plataforma Teams, que possibilitou a realização de aulas síncronas (em tempo real) e notebooks para alunos bolsistas que passaram por grande dificuldade material.  Sabemos que um número significativo de alunos perdeu seu emprego ou teve sua renda mensal reduzida, passando à condição de inadimplente. Um plantão de negociação foi instalado para que, caso a caso, fosse possível estabelecer um acordo que fosse vantajoso para o aluno e não colocasse em risco a sustentabilidade da instituição. 

Faço questão de ressaltar esses elementos pelo fato de não poucas concorrentes competirem agressivamente com uma redução de mensalidade que está longe de corresponder à manutenção de um ensino de qualidade. Não apresentam o fato de que só se pode oferecer tal redução mediante uma redução de custos que vai desde alocação de uma quantidade antipedagógica de alunos em cada classe quanto estratégias de tutoria direcionadas para repasse de conteúdos estritamente condicionados ao material apostilado e a avaliações remotamente mensuradas. Não desmerecendo o tutor, há uma diferença entre aquele que ministra a disciplina, sendo o mesmo que prepara os seus conteúdos e os atualiza, e aqueles que simplesmente se encarregam do seu repasse e da checagem quantitativa das respostas referentes aos processos avaliativos por meio de gabaritos. Em nossa instituição, checa-se a assimilação dos conteúdos, mas também se averigua a elaboração do pensamento, a expressão dos conhecimentos assimilados e a postura ética necessária a um bom profissional. Os princípios cristãos que nutrem o caráter confessional da instituição exigem que não sejamos somente aqueles que ensinam, mas também aqueles que educam educando a si mesmos, mostrando que a educação é um processo em constante aprimoramento. 

O retorno gradativo às aulas presenciais, ainda que referendado pelo decreto do Governador de Estado e marcado para o dia 08 de setembro, está sendo pensado mediante um rigoroso protocolo de medidas sanitárias, ainda que não se garanta que ele possa inibir com segurança um possível contágio. Isso nos coloca numa situação de apreensão prudente que deve avaliar incessantemente as medidas adotadas. Não obstante, há o caso de turmas ou mesmo cursos que pensam não voltar às aulas presenciais, ainda que o retorno de 35% do contingente de alunos esteja liberado por lei e viabilizado pela instituição. E há também o caso de professores que estão em grupo de risco (por idade ou comorbidades) que não poderão voltar às aulas presenciais, reservando-se o direito de ministrar aulas síncronas tais como foram ministradas no primeiro semestre. Enfim, a reitoria tem discutido periodicamente essas medidas e tenham certeza de que não há quem esteja fora do rol de nossas preocupações.

Resta-nos indicar, para ser refletido em outra ocasião, o que esta pandemia nos deixará como lição. Já conseguimos vislumbrar algumas: mudança no estilo de vida e, consequentemente, outro modo de gerenciar a economia. O luxo hoje é simplificar e saber viver com menos e com maior qualidade de vida. Diamantes que extrapolam em muito os dedos das duas mãos - como aqueles dados à esposa por Cabral, não o que descobriu o Brasil, mas o que governou e esvaziou os cofres públicos do Estado do Rio de Janeiro – serão considerados de muito mau gosto ou mesmo um sinal de extrema falta de civilidade (para não mencionar a noite dos guardanapos). Yates de luxo, como aquele em que foi preso Steve Bennon, ex-estrategista de Donald Trump e inspirador do filho do presidente Jair Bolsonaro, serão vistos como sinal de que há algo podre não somente na Dinamarca de Hamlet, mas entre todos os milionários que se enriquecem do dia para a noite ou somente nas noites voltadas para pensar falcatruas que se deve realizar durante o dia. A violência contra indígenas e ribeirinhos, em nome de um agronegócio que desmata, devasta e destrói a Floresta Amazônica, será considerada um genocídio porque mata não uma, mas várias culturas - e com elas outras visões de mundo, conhecimentos milenares acumulados e um respeito jamais visto entre os brancos para com a biodiversidade de nossa mãe Terra. Enfim, há muito que refletir na volta às aulas no período pós-pandemia. Por enquanto, permaneçamos por aqui. 

Por fim, quero externar toda a nossa solidariedade à Sra. Marlene, viúva do Sr. Moacir, agora a única proprietária de uma de nossas cantinas. Fará muita falta a gentileza desse nosso irmão não somente ao caixa, com simpatia e retidão, assim como sua voz e o som de sua guitarra em nossas celebrações. Eis mais uma pessoa querida tirada de nosso convívio pelo Covid-19. Por isso, eu lhes peço: cuidem-se e saiam de casa somente para o que é extremamente necessário! 

Bom semestre a todos e boa volta às aulas!
 

 

São Paulo, 24/08/2020

Reitor

Prof. Dr. Pe. Edelcio Ottaviani

Reitor do Centro Universitário Assunção - UNIFAI